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Os caras da Informática já foram mais respeitados
17/09/2010

Picanha no espeto, fogo alto na churrasqueira e uma cervejinha gelada na mão – Ambiente totalmente impróprio para discussões sobre TI, não é mesmo?

Mas foi exatamente assim que brotou a ideia do meu primeiro artigo, isto porque neste churrasquinho de final de semana estavam grandes e experientes profissionais do ramo de tecnologia da informação, telefonia e grande porte.

No auge de minha pouca idade e humilde experiência, comparado com os senhores presentes, resolvi fazer uma pergunta: – O que mudou nesses últimos 30 anos para os profissionais de TI? O que se sucedeu foram inúmeras abordagens e opiniões de grande aprendizado para mim; mas uma frase dita por uma Analista de Sistemas de grande porte, semeou o silêncio e vários balançares de cabeça em concordância: – “Os caras da Informática já foram mais respeitados!”.

Compilando os argumentos de todos escrevo este texto para informação e reflexão. Nos tempos atuais, onde a terceirização de serviços se tornou um sólido recurso para as empresas, quem mais sofre são os empregados; mas por quê? Há duas décadas, se contratava um profissional por sua capacidade técnica e seu poder de apagar incêndios, algo prático para empresas e funcionários, nos bons e maus momentos, criando um vínculo entre eles.

Em contra partida isso gerou também o enaltecer de “os caras”, aqueles que detinham o conhecimento de uma determinada área, enquanto os outros funcionários e a empresa jamais sabiam o que, e como, eles realizavam tudo.

Claro que um dia isso teria que mudar para a garantia de que o conhecimento passasse a ser da empresa e não de um funcionário…e mudou! Hoje o que se vê são esses mesmos profissionais de 30 anos atrás botando a mão na massa durante 10% do seu tempo de trabalho e na maioria restante elaboram relatórios de execução de atividades e de testes para que as empresa terceirizada possa ter subsídios na hora de provar a realização dos serviços ao cliente; eles não vestem mais as camisas das empresas dos clientes, pois sabem que amanhã estarão trabalhando em novos contratos.

O Protecionismo da informação estimulado pelas empresas, apesar de necessário, é usado de forma ineficaz e apenas muda-se o dono do conhecimento: Antes era “o cara” agora são “os terceiros”.

Em suma: os clientes continuam reféns dos outros. Nessas 3 décadas, muitos profissionais tiveram que se adequar as novas práticas e ao mercado e conseguiram com louvor, porém restou um ar saudoso do tempo em que os caras de TI provavam sua capacidade realizando o que precisavam, e não deixando de trabalhar 90% do tempo.E por isso, estes profissionais de larga experiência, “dinossauros” para quem gosta do termo (eu não gosto), não se sentem tão valorizados como antes, e não devido aos salários, já hoje são bem mais atrativos que anteriormente, mas sim em virtude do ambiente de trabalho, da falta de vínculo com a empresa e do respeito adquirido por suas realizações. 
 

Nos tempos em que a informação tem maior valor que o dinheiro é extremamente necessário cuidar deste bem com a devida atenção e há de se pensar nos negócios, porém não ao preço de minimizar a participação de grandes profissionais e suas benfeitorias.  

Os grandes comerciantes de serviços de tecnologia da informação devem entender que o maior bem que uma empresa pode adquirir, e que deve manter, são seus recursos humanos. Se não abrir os olhos para estes acontecimentos e começarmos a refletir sobre o real valor das coisas, daqui a alguns anos estes poderão acontecer com você. Está preparado para ser menos respeitado pelo mercado?



fonte: TI Especialistas

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